Por que gravar um CD independente não funciona. E o que fazer a respeito?

Tempo de leitura: 5 minutos

CD Independente

Por mais que a internet seja forte, o sonho de todo músico no início de carreira sempre é a gravação de um CD (mesmo que independente). O grande problema é: será este é um sonho viável para quem esta começando a carreira? Confira no vídeo abaixo ou ao longo deste artigo:

Todos sabem que o CD veio para substituir o Vinil e, por muito tempo, foi a melhor maneira de reproduzir e comercializar músicas.

Tempos depois, o reinado do CD produzido pelas gravadoras, que gerava milhões e milhões, foi ameaçado pela pirataria física (CDs falsificados). Muitos especialistas diziam que a grande maioria das gravadoras iriam definitivamente quebrar (e algumas realmente perderam muita força).

Como se não bastasse a pirataria física como inimigo, a internet e, consequentemente, os downloads também ganharam força, e a coisa ficou ainda mais feia para as empresas produtoras de discos.

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Houve uma época em que todos baixavam músicas pela internet. As conexões eram lentas, geralmente discadas, e, por isso, baixar o arquivo de música era mais viável do que tentar ouvir online.

Atualmente, a grande população tem um acesso melhor à banda larga e, segundo uma pesquisa do Instituto Nielsen, a maioria das pessoas não baixa, nem ouve música pela internet. 57% delas agora “assistem música”. Segundo esta pesquisa, a maior parte do público ouve música por meio de sites de vídeo, como o YouTube.

E quanto às gravadoras, elas estão tendo um enorme sucesso em vendas de música online. A receita gerada pela internet já é de 12% do lucro total. Com isso, cantores, duplas e bandas de sucesso nacional ainda gravam e vendem algumas milhares de cópias.

Mas, com todo esse vai e vem, ainda vale a pena gravar um CD?

A resposta é: pode até dar certo, mas existem soluções muito melhores para quem está começando. Vou apresentar algumas abaixo.

Você pode estar jogando dinheiro fora.

Quando um cantor, dupla ou banda resolve gravar um CD independente, os custos ficam em volta da produção e gravação das faixas (em média 12 músicas) e da gravação e impressão das capas do disco.

Num estúdio regular, de qualidade, cada faixa fica de R$ 800 a R$ 1.000 (se for menos que isso, por favor, desconfie). Quanto às embalagens (CD + capas), mil unidades ficam entre R$ 1.500 a R$ 2.000 (de R$ 1,50 a R$ 2 cada, considerando uma capa de papel grosso, que se vê por aí).

Somando tudo: um CD independente com 12 músicas (com um pouco de qualidade) e mil cópias ficaria em aproximadamente R$ 14.000 (estes preços dependem muito da região e outros fatores).

O pior erro de quem começa assim?

O pior erro para quem grava um CD independente desta maneira (que eu vejo muito acontecer) é sair presenteando as pessoas. Eles saem distribuindo gratuitamente até que finalmente as copias acabam e a esperança das músicas caírem no gosto do povo ficam apenas na esperança mesmo.

Como fugir deste problema?

Para elaborar este artigo, fiz algumas entrevistas com cantores e músicos em geral e alguns disseram que definitivamente não valia a apena. Outros afirmaram que o CD é um sonho e é muito bom gravar um. Outros, ainda, opinaram que a melhor saída é gravar apenas uma música e um clipe de qualidade com o dinheiro que iria para um CD inteiro.

A solução mais viável

Um CD, por ser um produto físico, é uma boa forma de presentear alguém e ser entregue para uma gravadora ou produtora. Nunca vi ninguém dar um mp3 de presente a alguém. Portanto, a gravação de um CD independente não deve ser totalmente descartada.

Eu listei como um passo a passo uma estratégia que pode ser adotada e que eu e muitos outros especialistas indicamos.

  1. Escolha quatro canções (de preferência autoral) e faça uma pesquisa. Grave uma demonstração e mostre para o maior número de pessoas possíveis (nos bares, parentes, amigos, desconhecidos). Peça uma opinião e observe a reação delas com as músicas. Se a maioria ficar emocionada e pedirem a música, considere grava-las.
  2. Dentre as quatro, escolha a que mais emociona as pessoas para ser a principal.
  3. Grave as músicas em um bom estúdio. Não descanse até que fique o melhor possível.
  4. Depois de gravadas, faça algumas cópias do disco (500, por exemplo) com uma excelente arte de capa.
  5. O que você terá em mãos é um EP, com quatro músicas autorais de ótima qualidade, eleitas pelo seu público.
  6. A música número 1 será a sua principal. Agora é hora de divulgar.

Sua música não irá viralizar! E divulgação não é de graça.

Quando tiver este trabalho em mãos, nada de ficar distribuindo tudo de graça na internet, pois as chances da sua música se transformar em um viral e cair no gosto do povo são mínimas. Qual foi a última vez que alguém te passou um arquivo de música de um músico iniciante? Eu nunca recebi. As pessoas receberão sua música, mas, mesmo gostando, irão guardar para elas.

Não se esqueça que marketing e divulgação, física e digital, não são de graça. Os sites de música não irão publicar sobre você a menos que você pague um publieditorial e suas publicações não irão ter milhares de acessos no Facebook a menos que você faça uma campanha paga.

Muito importante

Cada CD entregue em mãos deve ser considerado uma BALA de revólver e cada disco entregue deve ser considerado como um TIRO, que deve ser o mais preciso e certeiro possível. Não entregue para qualquer um. Mostre seu CD para quem pode fazer a diferença (ninguém é inacessível).

Fazendo isso e gravando o EP de quatro músicas, você ainda terá o dinheiro que sobrou das outras oito faixas para poder investir na divulgação do seu projeto.

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